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6 iniciativas de educação no Brasil que viraram política pública

4min de leitura

Por Emanuely Lima

abr 2026
Debate sobre políticas públicas na educação no Brasil com especialistas no palco e público acompanhando em auditório.">

Investir na educação no Brasil exige mais do que o olhar para expansão do acesso ou melhoria de indicadores isolados. O desafio está em como decisões são estruturadas e em como diferentes atores conseguem, de forma colaborativa, transformar iniciativas em políticas públicas.

Diante da complexidade da educação no Brasil, que envolve milhões de estudantes, múltiplos níveis de gestão e desigualdades profundas entre territórios, soluções pontuais têm alcance limitado. É nas políticas públicas que decisões alcançam escala, continuidade e capacidade de melhorar o acesso e a qualidade de forma mais consistente.

Nos últimos anos, o campo da educação no Brasil avançou na produção de evidências, no fortalecimento de organizações e na construção de soluções. Ainda assim, o impacto dessas iniciativas depende de um passo adicional: seu diálogo com políticas públicas, onde passam a orientar decisões de forma estruturada.

É nesse ponto que a articulação entre sociedade civil, gestores públicos e diferentes organizações se torna determinante. Quando esse processo acontece de forma coordenada, o que antes era uma experiência localizada passa a influenciar o funcionamento do sistema educacional.

Em 2025, esse movimento se concretizou em diferentes frentes na carteira de investimentos em educação do Movimento Bem Maior. Agendas impulsionadas por organizações apoiadas passaram a compor ou influenciar políticas públicas, com impactos que vão da primeira infância à formação de professores, passando pela inclusão e pela adaptação a contextos territoriais.

Os casos a seguir mostram como esse processo acontece na prática e o que ele revela sobre os caminhos possíveis para investir na educação no Brasil.


1. Política Nacional Integrada para a Primeira Infância (PNIPI)

Instituída por decreto federal em agosto de 2025, a PNIPI organiza a atuação do Estado na primeira infância a partir de uma lógica intersetorial, articulando educação, saúde, assistência social e proteção. A construção dessa agenda envolve organizações como a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o Todos Pela Educação e redes de advocacy pela primeira infância. Seu avanço consolida uma agenda que coordena ações já existentes e orienta sua implementação de forma integrada nos territórios.


2. Sistema Nacional de Educação (SNE)

O Sistema Nacional de Educação é um marco estrutural aprovado após anos de articulação entre organizações, com participação ativa da coalizão Educação Já. A iniciativa estabelece bases para coordenação entre União, estados e municípios, fortalecendo instrumentos de planejamento e cooperação. Trata-se de um avanço na governança da educação no Brasil, com impacto direto na redução de desigualdades.


3. Projeto Alavancas

O Projeto Alavancas para a educação inclusiva de qualidade, iniciativa do Instituto Rodrigo Mendes (IRM), deu origem a políticas públicas de educação inclusiva formalizadas em lei em 10 municípios. Ao longo de três anos, as redes participantes estruturaram suas próprias políticas para a educação de crianças com deficiência, com foco em implementação de longo prazo. O resultado direto é a ampliação de oportunidades para cerca de 170 mil alunos, com impactos concretos no acesso, desenvolvimento e autonomia desses estudantes.


4. ENADE das Licenciaturas

A reformulação do ENADE das Licenciaturas consolida uma política nacional de avaliação da formação docente do Ministério da Educação e do INEP, com contribuições de organizações como o Profissão Docente. A mudança amplia o foco da avaliação, incorporando competências práticas e preparação para a sala de aula. Ao redefinir critérios de qualidade, a política cria novos parâmetros para a formação de professores e influencia diretamente a qualidade da educação no Brasil.


5. Material didático oficializado (Tefé – AM)

A produção de material didático adaptado ao contexto local foi incorporada como política pública pela Secretaria de Educação de Tefé (AM). O conteúdo foi desenvolvido pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), considerando especificidades culturais, territoriais e linguísticas da região. A iniciativa contribui para o avanço de políticas educacionais mais aderentes aos contextos locais, enfrentando limitações de modelos padronizados de ensino.


6. Caderneta da Criança Digital (Recife – PE)

A Caderneta da Criança Digital foi instituída como política pública municipal no Recife (PE), com atuação do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB). A ferramenta integra informações sobre o desenvolvimento infantil, conectando diferentes áreas de atendimento. Sua implementação fortalece a gestão pública ao permitir acompanhamento contínuo e apoiar decisões mais coordenadas na política de primeira infância.


O papel do ISP na educação no Brasil

A transformação de iniciativas em políticas públicas exige tempo, articulação, produção de evidências e capacidade de incidência. É nesse processo que o investimento social privado e a filantropia estratégica assumem o papel de apoiar o desenvolvimento de soluções, fortalecer organizações e criar as condições para que essas iniciativas possam ser incorporadas pelo poder público.

Isso implica olhar para além do curto prazo. Significa investir em capacidades institucionais, apoiar processos de implementação, sustentar agendas ao longo do tempo e contribuir para a construção de pontes entre sociedade civil e gestão pública. Trata-se de orientar recursos para iniciativas com potencial de gerar mudanças estruturais na educação no Brasil.

Os casos apresentados mostram que, quando esse alinhamento acontece, o impacto deixa de estar restrito a organizações ou territórios específicos e passa a influenciar sistemas inteiros. É assim que o investimento ganha escala e que decisões passam a produzir efeitos duradouros na educação.

Para entender como essas iniciativas se conectam e como o investimento social pode impulsionar mudanças estruturais na educação no Brasil, acesse o Relatório Anual 2025 completo.

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