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Redes Ceará aposta no protagonismo local para promover inclusão produtiva no estado

5min de leitura

Por Emanuely Lima

set 2026
Roda de conversa entre a equipe da Redes Ceará e integrantes da Rede DLIS, no Grande Bom Jardim, Fortaleza">

Coalizão de impacto social, a Redes Ceará articula diferentes setores para fortalecer a inclusão produtiva e a segurança alimentar em territórios de Fortaleza e Maracanaú.

“O território não é só onde a gente está, mas quem constrói ele com a gente também.”
— Natália Tatanka, CEO do Giardino Buffet e Grill

Essa frase resume o espírito da Redes Ceará.

Quando Natália fala em território, ela expande a definição de um lugar fixo no mapa. Está falando de gente, das pessoas, organizações e instituições que se articulam, dia após dia, para fazer esse território existir e seguir de pé.

É desse entendimento que nasce a Redes Ceará. Uma coalizão de impacto social que une empresários, organizações sociais e poder público para investir em inteligência coletiva e enfrentar, juntos, os desafios da inclusão produtiva e da segurança alimentar em comunidades de Fortaleza e Maracanaú.

O que é a Redes Ceará

Na prática, essa coalizão se traduz em uma estrutura de governança compartilhada entre filantropos locais, investidores e parceiros técnicos, que funciona com conselhos deliberativo e financiador e comitês temáticos, e assim sustenta um portfólio de organizações já atuantes nesses territórios. O aporte inicial soma R$ 2,5 milhões, com a meta de mobilizar R$ 5 milhões em dois anos e beneficiar inicialmente cerca de 1.300 pessoas.

A Redes Ceará é uma estratégia de protagonismo local, tanto do lado de quem financia, quanto de quem faz. Os territórios cearenses já conhecem as soluções para os próprios desafios, sim, e também existem financiadores locais que apostam e confiam nesse trabalho.

O conceito por trás da coalizão

Se há um fio que conecta tudo o que a Redes Ceará faz, é o conceito de território como o espaço onde pessoas, organizações e instituições se articulam para enfrentar desafios comuns.

É por isso que a Redes Ceará nasce como uma coalizão. Cada parceiro entra com sua própria força, compartilhando expertise e reduzindo os riscos do projeto. Um lado traz recurso, outro traz metodologia, outro traz articulação com o poder público, outro traz o conhecimento de décadas de atuação na ponta. A fala de Natália, que abre este texto, também sintetiza esse racional. O território se constrói coletivamente, elo por elo.

Grande Bom Jardim: território em prática

O conceito de território pode parecer abstrato, o Grande Bom Jardim o torna concreto. É lá, num dos maiores complexos de bairros de Fortaleza, que três das cinco organizações âncora da Redes Ceará atuam. O Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), o Movimento Saúde Mental, com o Giardino Buffet e Grill como sua frente de negócio social, e a Rede DLIS.

Há poucas semanas, tive a oportunidade de visitar o território, junto a Beatriz Waclawek, gerente de Investimento Sociais do Movimento Bem Maior, e Fernanda Cotta, gerente do Instituto Localiza. Passamos pelo CCBJ e conhecemos o Coletivo de Mulheres Construindo Sonhos, vinculado ao Centro. Fomos também ao Buffet Giardino e ver de perto o trabalho do Movimento Saúde Mental. Encerramos na Rede DLIS, com uma visita à Criart.

O que mais chamou atenção foi ver como essas organizações já conversam entre si dentro do próprio território, muito antes de qualquer coalizão chegar para somar. Como resumiu Marcos Levi Nunes, superintendente do Centro Cultural do Grande Bom Jardim (CCBJ):

“Há muita felicidade de encontrar esses parceiros pra discutir segurança alimentar, discutir economia criativa, discutir inclusão produtiva, direitos humanos como um todo pra territórios que foram historicamente marginalizados.”

O CCBJ promove formação, criação e protagonismo cultural no território. Na Redes Ceará, seu projeto é o fortalecimento de iniciativas comunitárias, como o coletivo que visitamos.

Também no Grande Bom Jardim, o Movimento Saúde Mental atua com cuidado comunitário e inclusão produtiva, com destaque para o Giardino Buffet, sua frente de negócio social; o projeto que a coalizão apoia ali é a incubação de negócios sociais em gastronomia.

Já a Rede DLIS (Rede de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável do Grande Bom Jardim) articula organizações e lideranças em defesa de direitos e desenvolvimento local, com foco na formação e no fortalecimento de grupos produtivos.

A conexão com a segurança alimentar

As outras duas organizações âncora da Redes Ceará ampliam o mapa para além do Grande Bom Jardim e reforçam um segundo eixo estratégico da coalizão, a segurança alimentar.

No Grande Mucuripe, a Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco valoriza a cultura alimentar e amplia oportunidades profissionais por meio da gastronomia social, formando e incubando empreendedores do setor. Como explica Vanessa Moreira, coordenadora de Cultura Alimentar e Pesquisa da escola:

“O trabalho que fazemos de formação e pesquisa, pensando a cultura alimentar, a sustentabilidade e a gastronomia social, ganha força quando percebemos que, além da formação e da pesquisa, podemos tratar de consultorias individuais com pessoas que querem empreender.”

Em Maracanaú, o Pacto Contra a Fome faz a conexão com iniciativas de trabalho com o CEASA, entre elas o programa CEASA Desperdício Zero e o Banco de Alimentos.

Juntos, os projetos das cinco organizações âncora desenham três eixos estratégicos da coalizão: inclusão produtiva, insegurança alimentar e desenvolvimento territorial. O público que essas frentes priorizam também diz muito sobre a Redes Ceará. Mulheres chefes de família, jovens em situação de vulnerabilidade, famílias em insegurança alimentar crônica, grupos periféricos organizados em coletivos e pequenos produtores rurais como focos principais.

O trabalho começa

A Redes Ceará avança em etapas, do diagnóstico à execução. O mapeamento do território e das organizações âncora, junto à seleção dos projetos estão concluídos, e a execução, de fato, já começou a ser desenhada.

No fim de agosto, em Fortaleza, reunimos parceiros estratégicos, co-investidores e as cinco organizações âncora para dar os primeiros passos práticos da coalizão. Cada organização apresentou sua história e seu projeto aos presentes, e, a partir do que ouviram, os participantes refletiram sobre o que cada um pode oferecer e contribuir com o projeto do outro.

Em seguida, as organizações participaram de um treinamento conduzido pela Fundação Dom Cabral, parceiro técnico da Redes Ceará. O professor Mauro Ferreira apresentou o processo de acompanhamento que vem pela frente, incluindo o formulário que será aplicado aos beneficiários para a futura mensuração de resultados.

Foram dois dias de conexão, aprendizado e planejamento coletivo, reunindo numa mesma sala quem viabiliza a coalizão. Movimento Bem Maior, Instituto Localiza e Somos Um como parceiros estratégicos; Nacional Gás, Naturágua e Ypetro como coinvestimento; e Pacto Contra a Fome, Fundação Dom Cabral e Pupa Consultoria como apoio técnico.

Menos dispersão, mais colaboração, mais escala, mais transformação. É assim que a própria coalizão resume seu propósito. Elo por elo, a Redes Ceará começou a se colocar em prática, e o próximo capítulo depende de cada um desses elos seguir se fortalecendo.

Quem constrói o território? Na Redes Ceará, a resposta já tem nome, e cinco organizações para começar. Conheça mais


Organizações âncora: Centro Cultural Bom Jardim · Movimento Saúde Mental / Giardino Buffet e Grill · Rede DLIS · Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco · Pacto Contra a Fome

Iniciativa: Movimento Bem Maior

Parceria estratégica: Instituto Localiza · Somos Um

Coinvestimento: Nacional Gás · Naturágua · Ypetro

Apoio técnico: Pacto Contra a Fome · Fundação Dom Cabral · Pupa Consultoria