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Fortalecimento institucional de organizações sociais começa com pequenas ações

3min de leitura

Por Thainara Martins

jul 2025
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Iniciativas simples também impulsionam o fortalecimento institucional de organizações sociais. Nesta história da ETIV do Brasil, apoiada pelo programa Futuro Bem Maior, uma conversa transformou a relação com o território e gerou um novo parceiro local.

Numa cidade turística no litoral da Bahia, uma cena comum se repete: crianças se reúnem para sessões de cinema organizadas pela ETIV do Brasil, uma organização social que atua com foco em educação, meio ambiente e voluntariado internacional em Itacaré. O que poucos sabem é que, por trás de cada sessão, agora há o apoio de um novo parceiro: um mercadinho local, que nunca havia se conectado com a organização — até que uma pergunta mudou tudo.

A ETIV do Brasil é uma das 45 organizações que participam da 5ª edição do Futuro Bem Maior, nosso programa de fortalecimento de organizações de base comunitária em todo o Brasil. Foi durante essa jornada que uma conexão especial surgiu como resultado de uma atividade simples, mas potente: a Entrevista de Empatia, uma das ferramentas de capacitação oferecidas pelo programa.

Durante o Módulo 1 da trilha de formação em gestão, a equipe da ETIV decidiu entrevistar o dono de um mercadinho tradicional da cidade. Apesar da proximidade geográfica, até então nunca havia ocorrido uma troca direta entre a organização e o estabelecimento. A conversa mudou isso. Ao conhecer melhor o trabalho da ETIV e descobrir as sessões de cinema para as crianças, o comerciante se encantou com a proposta e passou a apoiar o projeto com a doação dos milhos de pipoca que hoje acompanham as exibições.

Essa história poderia passar despercebida, mas ela representa muito mais do que um gesto de generosidade. É um exemplo concreto de como uma ferramenta de gestão aplicada com empatia pode gerar conexões e fortalecer vínculos entre organizações sociais e suas comunidades.

No Futuro Bem Maior, acreditamos que fortalecer a gestão não precisa ser algo complexo ou distante da realidade das OSCs. Por isso, o programa oferece uma trilha formativa estruturada em quatro módulos, com conteúdos práticos voltados ao dia a dia das organizações. Desenvolvida pelo Instituto Phomenta, a formação inclui encontros coletivos, assessorias individuais e ferramentas que ajudam a aprofundar o olhar sobre o território, a atuação institucional e o potencial de impacto.

Uma dessas ferramentas é a Entrevista de Empatia — uma conversa guiada que estimula as organizações a ouvirem ativamente diferentes atores locais, identificando pontos de conexão, oportunidades de colaboração e novas formas de se relacionar com a comunidade. Mais do que uma técnica, é uma forma de criar vínculos verdadeiros.

Essa escuta ativa, quando incorporada à prática institucional, revela outra dimensão do fortalecimento. Quando falamos em desenvolvimento institucional, é comum associá-lo a planilhas, reuniões estratégicas ou metas. Mas ele também nasce do diálogo. É na escuta de quem está perto — mas ainda fora da rede de relações — que surgem ideias novas, parcerias inusitadas e apoios inesperados.

A trajetória da ETIV do Brasil não fez parte da amostragem do estudo de caso do programa (focada nas três primeiras edições), mas representa com clareza os impactos identificados ao longo da jornada. Um dos dados mais fortes do case mostra que 80,95% das organizações afirmaram ter alcançado mais visibilidade nas comunidades onde atuam. Isso não se conquista apenas com números, mas com presença, reconhecimento e relação de confiança, como a que nasceu entre a ETIV e o mercadinho local.

Ao se abrirem para uma conversa com quem nunca tinham se relacionado, a ETIV deu um passo importante rumo à liderança madura, conectada e sensível. E esse movimento rendeu frutos — ou melhor, rendeu pipocas!

O que essa história nos conta sobre o que vem pela frente

A experiência da ETIV mostra que o fortalecimento institucional pode começar com algo simples: uma escuta atenta, uma pergunta feita com empatia. É esse tipo de movimento que seguimos estimulando no Futuro Bem Maior — porque acreditar nas organizações sociais é, acima de tudo, acreditar na força das conexões que elas constroem.